Thursday, September 07, 2006

Novidades e coisas velhas

Há algum tempo nem lembrava desse espaço, ainda bem que domínios de blogs não expiram...

Bom, as coisas velhas são, somente, sobre o endereço que não deu pra torcar mesmo e o template. Já passou a fase de fazer de conta...

As novidades são que as coisas velhas daqui já não estão mais aqui. E as coisas novas, enquanto forem novas, vão ficar por aí. Por um tempo.

Das águas que passaram, ou deixaram marcas sem passar, ficou um pequeno texto. Que ainda não foi terminado (nem sei se será, isto está se tornando uma constante).


(Abre aspas)

A primeira missa do dia era sua favorita.

Não pelas carolas que enchem os primeiros bancos, não por ser a primeira missa do dia, não por perceber a luz dos primeiros raios de sol penetrando pelas janelas entreabertas. Não por sentir o badalar dos sinos, ainda sofrendo do flagelo frígido da madrugada. O que mais o agradava na primeira missa do dia era Yesalel.

Dentre a multidão de corpos que passavam pelas paredes só um deles importava, não somente como um corpo, mas o corpo como expressão de sentimentos e da alma de uma jovem, a única a assistir a primeira missa do dia cuja idade permite ostentar o frescor de traços rijos na face.

A primeira missa, ela sempre freqüentava a primeira missa do dia. O lenço negro sobre os cabelos, mostrando somente uma pequena franja. Cabelos loiros, era o único detalhe que a posição e a distância lhe permita ver, somente isso. Sempre uma camisa branca, mangas longas e uma blusa de lã preta com os botões abertos. Fazia frio antes de começar a primeira missa do dia. A saia era suficientemente longa, não sabia o comprimento, não conseguia distinguir. Sapatos pretos, sempre sapatos pretos.

A primeira missa do dia não era demorada, a pontualidade do padre não permitia o atraso. Os sinos badalavam na mesma hora, os fiéis entravam na hora certa, Yesalel entrava com o passo acelerado, tentando acompanhar a mãe, a mãe que a puxa pelo braço. Ela não tem idade para ser puxada pelo braço. Ela é uma mulher. Mulher! Não ela não é mulher, não no sentido literal. Yesalel guarda um sorriso lúdico, uma vez viu seu sorriso. Nem se quer sabia se era para alguém. Uma amiga. Um pretendente. Não, ela não pode ter pretendente. Ela é mulher mas é pura demais, ela tem o corpo formado pela idade mas a alma conservada pelo amor. Pelo amor? Amor a quem?! Não, sua alma é conservada pela pureza. Mulheres puras são conservadas pela natureza. Mulheres puras são conservadas pela vida, são conservadas para o amor.

A primeira missa do dia termina e ela segue, puxada pela mão, sempre puxada por sua mãe. A igreja se esvazia, Yesalel vai se tornando menor, vai caminhando para longe, Yesalel vai para longe sem saber que do alto é observada. Sem sentir que do alto pode é amada, sem saber que do alto é exaltada.

Sempre segue com a mãe, puxada pela mão para a padaria. Sempre chegam junto com as demais carolas, amontoam-se na fila, sob o toldo orvalhado, para receber a primeira fornada matinal de pães. Yesalel carrega os pães enrolados em papel de embrulho, embrulhados em um de seus braços, até dobrar a esquina. Pronto, ela sai da visão. Do alto pode-se ver ao longe mas não se pode ver através da esquina. Agora, somente amanhã. Pelo resto do dia a lembrança, pela noite adentro a imaginação, pela madrugada adentro a espera. A espera pela primeira missa do dia.

(Fecha aspas)


Sem título ou algo para identificar. O que importou desse breve devaneio foram a frustração e saber que algumas coisas não se misturam.

3 Comments:

Blogger Gus No Sant said...

Esse meu lance com sociabilidade é complexo...

1:33 PM  
Blogger Unknown said...

Eu vim daquele breve provisório instante chamado "fim" para este começo (?) e o que percebi não foram textoS, mas sim "texto", um hipertexto fragmentado entrelaçado conectado a vários outros radicais de insconciente sensiente coletivo. Nesgas de uma tessitura harmonizadas em um balanço ritmado com indicação (genial) que nos aproxima em suave duradouro eco etilizado de um narrador que não se apresenta, mas ainda assim é íntimo, até intrínseco, a nós.

11:57 AM  
Blogger Unknown said...

Eu vim daquele breve provisório instante chamado "fim" para este começo (?) e o que percebi não foram textoS, mas sim "texto", um hipertexto fragmentado entrelaçado conectado a vários outros radicais de insconciente sensiente coletivo. Nesgas de uma tessitura harmonizadas em um balanço ritmado com indicação (genial) que nos aproxima em suave duradouro eco etilizado de um narrador que não se apresenta, mas ainda assim é íntimo, até intrínseco, a nós.

5:38 PM  

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