Tuesday, October 10, 2006

Prova dos nove.

Discussões de mesa de bar sobre comportamento, nunca dá certo, nunca se chega a um denominador comum. Esse texto saiu de uma farpa que ficou entranhada na minha cabeça por alguns dias, pelo menos esse é o meu denominador comum.

(Abre aspas)
Nem todo mundo consegue acompanhar um raciocínio rápido, tem muita gente que tem a faísca atrasada, ou somente dificuldade de compreensão. Tem gente que, por outro lado, tem muita facilidade para digerir um assunto e buscar novas perspectivas para delongar uma conversa sobre assunto qualquer. Pois as palavras são rápidas, partem de um impulso elétrico e, antes que se possa segurar, saem pela boca em forma de fonemas. Às vezes sem as devidas papas a língua é ferina, afeta de forma incisiva algum ouvido próximo, machuca quem não se quer e rompe laços, novos ou antigos. Ocasiões e ocasiões de diversas pessoas podem relatar casos em que o misunderstood entrou justamente pelo lado que não deveria. E um "don´t get me wrong" não vai consertar situações instauradas. As várias interpretações que a mesma palavra tem podem influenciar pejorativamente o entendimento. As várias entonações que as cordas vocais geram podem dar a entender que... As várias expressões que as contrações e relaxamentos dos músculos faciais proporcionam podem impregnar uma retina de ódio ou mera desconfiança, encher as costas de uma orelha com diversas pulgas. Agilidade prejudicial, respostas rápidas que entretem os neurônios em dúvidas e põe em cheque o bom andamento de conversas agradáveis ou discussões acaloradas. Agilidade de pensamento e verbalização não acompanhada pela agilidade de julgamento (seja por exaltação de ânimo, seja por índole, seja por estado ébrio) do que é proferido. Como todo julgamento é demorado, como todo processo necessita de reavaliação, de ponderação e de coragem para assumir a falha, quando ocorre, a dificuldade de consertar uma atitude tomada não reside somente em desfalar, reside em desfalar com o corpo todo, com maior veemência do que a qual usada para falar. Desfalar é mais difícil que falar. Desfalar envolve negar o que foi falado e o que se fala é o que se pensa. "Cada cabeça uma sentença". Retratar é mais digno que desfalar. Retratar é desfalar com o julgamento do que foi falado. Refletir e guardar o que foi falado, auto-julgar livremente sobre como foi falado e perceber se é você mesmo falando o que foi falado. Retratar é engolir o sapo da culpa e por pra fora o catarro do orgulho. Retratar é assumir que a agilidade de julgamento (seja por exaltação de ânimo, seja por índole, seja por estado ébrio) veio a falhar ao falar o que não se é. "Tirar foto é fácil, quero ver quem se retrata". Julgar. Cada julgamento tem uma sentença, cumprir a sentença é mais digno que retratar. Cumprir a sentença é esfregar o catarro do orgulho na cara, mesmo que não seja cara a cara, e falar que não se é o que falou. Cumprir a sentença é mostrar, publicamente, que a agilidade de julgamento (seja por exaltação de ânimo, seja por índole, seja por estado ébrio) somente agilizou um erro, somente mostrou que ao falar é falível. Como todo humano, "demasiado humano".


(Fecha aspas)



Áudio: Babylon by Gus - Gustavo Black Alien.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home