Thursday, September 21, 2006

Por, pura, falta de talento.

Não tenho saco para ler poesias enormes (visto que não as lia de forma alguma até pouco tempo atrás), nem as médias. Não me entretem, não consigo manter a concentração muito menos entender.

Porque poesia que não se entende, ou não se entende o suficiente para pôr suas impressões e transportar para suas experiências não vale de nada, ao menos na minha reles opinião. (Sábia dica de quem me provem de informações interessantes).

O fato é que por pura falta de talento e de saco, prefiro as pequenas:

(Abre aspas)
Tentativa poética de escrever
o que ainda não foi escrito
Pela, pura, falta de talento
Fica o dito pelo não dito
(Fecha aspas)

Isso tá ficando engraçado.


Áudio: All my life - Foo Fighters

Wednesday, September 20, 2006

Poeminha Japonês.

Algumas pessoas podem estranhar isso mas algumas restrições literárias caíram de pouco tempo para cá.

Não, não tô aceitando apelido de porra nenhuma. Só fui dormir com isso na cabeça, essas paradas sempre me acontecem antes de dormir.

De qualquer forma (em vários sentidos):

(Abre aspas)
Em décadas forjada
Após meses de batalha
Resta a armadura fissurada.
(Fecha aspas)

Nada de muito lirismo ou coisas parecidas, problemas pessoais são mais reais e mais impressionantes que as possíveis impressões que causemos ou que causem.

Áudio: Can´t Stop - Red Hot Chili Peppers.

Monday, September 11, 2006

Quando eu tive saudades de casa...

Ontem eu realmente tive saudades de casa, todo o vazio dos trinta e poucos metros quadrados (mais a garagem) dividindo os cômodos com cômodas restrições de espaços, poder olhar da entrada do banheiro e ver a área de serviço.

Sério.

Mesmo de quando eu dividia, eu senti saudades. Senti saudades da sensação de chegar em casa e tirar a camisa na cozinha, a calça na sala, a bota no banheiro e as meias no quarto... Senti saudades das noites varadas à meia luz do LCD com uma seleção aleatória de filmes e o companheiro Cordelier, de ter que sair às 3 da manhã para achar uma farmácia aberta e comprar camisinhas.

Me lembraram esse final de semana das minhas perigosas incursões que envolviam gastronomia e sono, mas não foi isso que me fez sentir saudades.

Lembraram de outras incursões de diversidade étnica, mas, também, não foi isso que me fez sentir saudades.

Um filme!

Na verdade, dois! Em plena tv aberta eis que surge em meio aos programas de sexo do SBT, progamas cabeça-demais-para-final-de-noite-quando-se-quer-só-diversão-boa da Educativa e o plim-plim (os outros canais nem cito, estavam passando programas de algum desses bispos pistoleiros que tem por aí) surge em LP tocando numa vitrola, em close.

"Será?!"

Então, High Fidelity.

Foi legal ver o filme de novo. Sempre é legal ver as piras (distintas) de cada um dos três caras da loja de discos.

Foi frustrante ter visto o final do filme e pensar que "são 02:40 e eu tenho que dormir", 20 e cinco minutos depois outra grata surpresa. Um filme, agora na Sessão de Gala (dessa vez foi de gala mesmo), com as primeiras cenas estouradas e opacas, estranho de ler mas é a única forma que sei descrever, e o nome aparece junto com o sorriso na minha cara: "Confissões de Uma Mente Perigosa".
A primeira vez que assisti foi com mais três pessoas que dormiram ou ficaram com tanta raiva do filme que viram inteiro para criticar veementemente a escolha (que foi minha!).

Nem comento nada sobre os filmes, já estavam esquecidos na minha cabeça mas fiquei feliz de revê-los. Mas a saudade veio, a saudade de ser e estar sozinho.

O primeiro me fez ter vontade de ter meu apartamento de volta, qualquer um, em qualquer lugar, mas num andar alto (que é mais legal), para saber que a tranquilidade só pode ser quebrada se eu quiser.

O segundo me fez ver com pessoas estranhas tem necessidades estranhas!

Acho que até fui mal interpretado em uma conversa, dessas depois do almoço fumando um cigarro, esses dias quando falei que tinha "problemas de sociabilidade". Não é quando estou no buteco, quando estou em uma festa, quando tem mais gente para interagir. Eles aparecem quando quero ficar sozinho, e isso era frequente. Agora eu preciso só ficar em algum lugar que não seja o que "pago para não ficar".

O que me levou a ser mal interpretado por outra pessoa também; a questão é que eu preciso! Eu sou e preciso.

Essa história toda foi inventada para dizer que a tv aberta é muito boa, de madrugada, quando o Big Boss dos controladores de programação está dormindo.

Mas ver filmes do calibre desses dois, seguidos e em canais diferentes? Só pra quem quer dormir depois das 05:00.


Áudio: Delete Yourself - Atari Teenage Riot

Thursday, September 07, 2006

Novidades e coisas velhas

Há algum tempo nem lembrava desse espaço, ainda bem que domínios de blogs não expiram...

Bom, as coisas velhas são, somente, sobre o endereço que não deu pra torcar mesmo e o template. Já passou a fase de fazer de conta...

As novidades são que as coisas velhas daqui já não estão mais aqui. E as coisas novas, enquanto forem novas, vão ficar por aí. Por um tempo.

Das águas que passaram, ou deixaram marcas sem passar, ficou um pequeno texto. Que ainda não foi terminado (nem sei se será, isto está se tornando uma constante).


(Abre aspas)

A primeira missa do dia era sua favorita.

Não pelas carolas que enchem os primeiros bancos, não por ser a primeira missa do dia, não por perceber a luz dos primeiros raios de sol penetrando pelas janelas entreabertas. Não por sentir o badalar dos sinos, ainda sofrendo do flagelo frígido da madrugada. O que mais o agradava na primeira missa do dia era Yesalel.

Dentre a multidão de corpos que passavam pelas paredes só um deles importava, não somente como um corpo, mas o corpo como expressão de sentimentos e da alma de uma jovem, a única a assistir a primeira missa do dia cuja idade permite ostentar o frescor de traços rijos na face.

A primeira missa, ela sempre freqüentava a primeira missa do dia. O lenço negro sobre os cabelos, mostrando somente uma pequena franja. Cabelos loiros, era o único detalhe que a posição e a distância lhe permita ver, somente isso. Sempre uma camisa branca, mangas longas e uma blusa de lã preta com os botões abertos. Fazia frio antes de começar a primeira missa do dia. A saia era suficientemente longa, não sabia o comprimento, não conseguia distinguir. Sapatos pretos, sempre sapatos pretos.

A primeira missa do dia não era demorada, a pontualidade do padre não permitia o atraso. Os sinos badalavam na mesma hora, os fiéis entravam na hora certa, Yesalel entrava com o passo acelerado, tentando acompanhar a mãe, a mãe que a puxa pelo braço. Ela não tem idade para ser puxada pelo braço. Ela é uma mulher. Mulher! Não ela não é mulher, não no sentido literal. Yesalel guarda um sorriso lúdico, uma vez viu seu sorriso. Nem se quer sabia se era para alguém. Uma amiga. Um pretendente. Não, ela não pode ter pretendente. Ela é mulher mas é pura demais, ela tem o corpo formado pela idade mas a alma conservada pelo amor. Pelo amor? Amor a quem?! Não, sua alma é conservada pela pureza. Mulheres puras são conservadas pela natureza. Mulheres puras são conservadas pela vida, são conservadas para o amor.

A primeira missa do dia termina e ela segue, puxada pela mão, sempre puxada por sua mãe. A igreja se esvazia, Yesalel vai se tornando menor, vai caminhando para longe, Yesalel vai para longe sem saber que do alto é observada. Sem sentir que do alto pode é amada, sem saber que do alto é exaltada.

Sempre segue com a mãe, puxada pela mão para a padaria. Sempre chegam junto com as demais carolas, amontoam-se na fila, sob o toldo orvalhado, para receber a primeira fornada matinal de pães. Yesalel carrega os pães enrolados em papel de embrulho, embrulhados em um de seus braços, até dobrar a esquina. Pronto, ela sai da visão. Do alto pode-se ver ao longe mas não se pode ver através da esquina. Agora, somente amanhã. Pelo resto do dia a lembrança, pela noite adentro a imaginação, pela madrugada adentro a espera. A espera pela primeira missa do dia.

(Fecha aspas)


Sem título ou algo para identificar. O que importou desse breve devaneio foram a frustração e saber que algumas coisas não se misturam.