Tuesday, October 24, 2006

Lancinante (ou... o final tão óbvio que demorou para aparecer...)

Foram uns três dias para juntar todos os pedaços, ouvir as palavras certas e procurar a desconhecida. Ainda, depois de começado o final só apareceu uma hora depois, do nada!

(Abre aspas)
Meu maior atestado
de burrice é lavrado
quando tenho que buscar no dicionário
o significado de uma palavra
que não tenho no vocabulário
(Fecha aspas)


Áudio: Water your garden - Luscious Jackson.

Saturday, October 21, 2006

Presente e Futuro.

A última noite foi prolongada até quase o nascer do sol, entre uma saída ao quintal para uma baforada surgiram essas palavras que tem um pouco de presente (ontem) e futuro (apresentando-se hoje).

(Abre aspas)

Noite cheia de estrelas
Cerro os olhos para não vê-las
Na tentativa banal de, simplesmente, esquecê-las

Lembro dos cabelos avermelhados
Cuja dona, talvez, encontre em meados
De um final de mês inacabado

(Fecha aspas)


Mesmo não acreditando em destino, foi providencialmente divertido perceber que uma resposta havia chegado após o nascimento dessa pequena tentativa de poema.


Áudio: Take Five - The Dave Brubeck Quartet

Tuesday, October 17, 2006

Por fatos que são descobertos quanto já se fez o bem, mesmo sem saber!!!

Bem endereçado!

(Abre aspas)

Quando se fala o que se pensa para não falar?

Talvez para não deixar a vontade calar...

Por que deixar as palavras vazarem entre os dentes?

Talvez pra fazer o que, inesperadamente, manda a mente...


Como saber a hora de dizer?

É só deixar sair...

Pra fazer alguém sorrir?

Talvez só pra fazer esse alguém saber...


E se esse alguém não alertar?

Mesmo sem saber, não se acanhe...

Mas talvez estranhe!

Melhor que nunca ouvir falar...


(Fecha aspas)


Áudio: If - Red Hot Chili Peppers

Wednesday, October 11, 2006

De onde eu menos esperava...

... pegou como uma punhalada nas costas. Admito que perdi a fala, seja pelo orgulho ferido, seja pela perplexidade de levar um murro forjado com cacos de vidro de quem não se pensou um mal...

(Abre aspas)
Três poemas passaram pela cabeça
os resquícios de álcool levaram embora
só sobrou a ferida que, ao que quer que se faça,
não há possibilidade, que um dia, desapareça
(Fecha aspas)


Sem áudio pra essa.

Tuesday, October 10, 2006

Prova dos nove.

Discussões de mesa de bar sobre comportamento, nunca dá certo, nunca se chega a um denominador comum. Esse texto saiu de uma farpa que ficou entranhada na minha cabeça por alguns dias, pelo menos esse é o meu denominador comum.

(Abre aspas)
Nem todo mundo consegue acompanhar um raciocínio rápido, tem muita gente que tem a faísca atrasada, ou somente dificuldade de compreensão. Tem gente que, por outro lado, tem muita facilidade para digerir um assunto e buscar novas perspectivas para delongar uma conversa sobre assunto qualquer. Pois as palavras são rápidas, partem de um impulso elétrico e, antes que se possa segurar, saem pela boca em forma de fonemas. Às vezes sem as devidas papas a língua é ferina, afeta de forma incisiva algum ouvido próximo, machuca quem não se quer e rompe laços, novos ou antigos. Ocasiões e ocasiões de diversas pessoas podem relatar casos em que o misunderstood entrou justamente pelo lado que não deveria. E um "don´t get me wrong" não vai consertar situações instauradas. As várias interpretações que a mesma palavra tem podem influenciar pejorativamente o entendimento. As várias entonações que as cordas vocais geram podem dar a entender que... As várias expressões que as contrações e relaxamentos dos músculos faciais proporcionam podem impregnar uma retina de ódio ou mera desconfiança, encher as costas de uma orelha com diversas pulgas. Agilidade prejudicial, respostas rápidas que entretem os neurônios em dúvidas e põe em cheque o bom andamento de conversas agradáveis ou discussões acaloradas. Agilidade de pensamento e verbalização não acompanhada pela agilidade de julgamento (seja por exaltação de ânimo, seja por índole, seja por estado ébrio) do que é proferido. Como todo julgamento é demorado, como todo processo necessita de reavaliação, de ponderação e de coragem para assumir a falha, quando ocorre, a dificuldade de consertar uma atitude tomada não reside somente em desfalar, reside em desfalar com o corpo todo, com maior veemência do que a qual usada para falar. Desfalar é mais difícil que falar. Desfalar envolve negar o que foi falado e o que se fala é o que se pensa. "Cada cabeça uma sentença". Retratar é mais digno que desfalar. Retratar é desfalar com o julgamento do que foi falado. Refletir e guardar o que foi falado, auto-julgar livremente sobre como foi falado e perceber se é você mesmo falando o que foi falado. Retratar é engolir o sapo da culpa e por pra fora o catarro do orgulho. Retratar é assumir que a agilidade de julgamento (seja por exaltação de ânimo, seja por índole, seja por estado ébrio) veio a falhar ao falar o que não se é. "Tirar foto é fácil, quero ver quem se retrata". Julgar. Cada julgamento tem uma sentença, cumprir a sentença é mais digno que retratar. Cumprir a sentença é esfregar o catarro do orgulho na cara, mesmo que não seja cara a cara, e falar que não se é o que falou. Cumprir a sentença é mostrar, publicamente, que a agilidade de julgamento (seja por exaltação de ânimo, seja por índole, seja por estado ébrio) somente agilizou um erro, somente mostrou que ao falar é falível. Como todo humano, "demasiado humano".


(Fecha aspas)



Áudio: Babylon by Gus - Gustavo Black Alien.

Monday, October 09, 2006

Proposta de uma troca justa.

O latejar dos dedos dos pés, a dor muscular do tornozelo, os desencontros cartilaginosos dos joelhos, o ardor, como que em brasa, das fibras musculares das coxas, o desarranjo de encaixe das primeiras vértebras, o bolor que consome os pulmões, o sangue róseo diluído em cadeias líquidas formadas por aglomerações de hidroxilas, o pesar de uma consciência coletiva nos ombros estreitos que suportam braços longos, não menos desproporcionais em tamanho que em diâmetro, o pescoço alongado como que para poder sobreviver ao darwinismo que extinguiu as girafas de cotocos ligando o tronco à cabeça, os olhos desgastados, cansados, clamando por uma nova camada de visão que já deixou de ser perfeita como a do dia do nascimento, os pêlos capilares que são dispensáveis aos apelos do corpo por aquecimento, uma vez já inventado o artificial. Já não se tem necessidade de apelo estético para o que beira o esquelético.

Ofereço tudo isso, os dejetos de uma vida curta, intensa, bem vivida, para que não deixe mancha sobre essa terra, que há de torna-lo pó, este vegetal carnívoro. Ofereço e em troca exijo, com a arrogância que já é característica do ser, a não lembrança, uma vez que, mesmo quando já não se vai sentir nada, sentir que deixou tristes. É a pior das trocas, apesar de inevitável.

Desprezo o ar que entra e a tosse que atravessa as vias aéreas e expelem os germes que expurgam a saúde que resta na pobre carcaça que somente anda e faz sombra. Ocupa lugar no espaço, portanto é matéria, porém em matéria de ocupar algo que melhor o torne... Não, a mente não se ocupa disso.

Quero a cessão, falência quíntupla, parada “psicorrespiratória”, solidificação do sangue nas principais artérias, inverter o fluxo venoso, voltar aos podres órgãos o venenoso sangue que polui com tudo o que é expelido, compelido e não compreendido. Só! Pó! De preferência, Só!


Áudio: Slow - Cardigans.